Antes de fazer o PIX por um carro usado, confira pela placa o histórico do veículo (preço na tabela FIPE, roubo ou furto, leilão, gravame, débitos e recall) e se quem vende é o proprietário registrado. Na visita, avalie o carro com vistoria cautelar, mecânico e test drive. Para fechar, pague só ao proprietário, faça a transferência pelo DETRAN do seu estado e guarde os comprovantes.
Por que conferir tudo antes do PIX?
Os problemas mais sérios de um usado costumam estar em duas frentes: o que está registrado sobre o veículo, como financiamento, débitos, roubo ou leilão, e o estado físico do carro. Como o PIX cai na hora, vale conferir as duas antes de pagar, porque desfazer um pagamento depois é bem mais difícil.
O checklist segue as etapas da compra: você confere os itens 1 a 8 pela placa, os itens 9 a 12 pessoalmente e os itens 13 a 15 na hora de pagar e transferir.
Antes da visita: o que dá para checar pela placa?
Peça a placa logo no primeiro contato; quem vende de boa-fé costuma informar sem problema. Com ela, a consulta de placa da Descobria reúne em um só relatório os dados para conferir os oito itens abaixo (as multas ficam no site do DETRAN), e vários também podem ser conferidos de graça.
1. Os dados da placa batem com o anúncio?
Marca, modelo, ano, cor e combustível precisam ser os do anúncio. Um carro anunciado como 2020 que aparece como 2018/2019 pede explicação antes de falar em preço. Na consulta, esses dados estão no conjunto Placa Básica.
2. O preço está perto da tabela FIPE?
A tabela FIPE indica o preço médio de mercado: serve de referência para negociar, mas o valor final depende do estado do carro, da quilometragem e da versão. Preço muito abaixo dela, sem motivo claro, é um sinal comum de golpe. O conjunto FIPE mostra o valor a partir da placa, e o site da FIPE tem a consulta gratuita.
3. Há registro de roubo, furto ou perda total?
Registro de roubo ou furto em aberto é motivo para desistir: o carro pode ser apreendido mesmo com quem comprou de boa-fé. Já um sinistro com perda total indica dano grave no passado e pede vistoria ainda mais cuidadosa. O conjunto BIN Nacional, com a situação do carro na base nacional, informa os dois tipos de registro.
4. O carro já passou por leilão?
Registro de leilão não impede a compra, mas pode reduzir o valor de revenda e dificultar o seguro, e o preço precisa refletir isso. Quando há registro, o conjunto Leilão traz data, lote, leiloeiro e, se informada, a classificação de danos. A ausência de registro vale para as bases consultadas e não dispensa a vistoria.
5. Existe gravame, restrição ou bloqueio judicial?
Gravame ativo indica financiamento: a transferência depende da liberação da financeira, então combine por escrito como a dívida será quitada. Restrições e bloqueios judiciais também podem impedir a transferência. Na consulta, o BIN Estadual, com a situação na base do estado, mostra restrições e gravame, e o BIN Nacional, os bloqueios judiciais.
6. Há débitos de IPVA, licenciamento ou multas?
Débitos em aberto ficam ligados ao carro e costumam travar a transferência; combine antes quem paga cada valor. O BIN Estadual mostra os débitos de IPVA e licenciamento. O site do DETRAN do seu estado costuma mostrar também as multas, com a placa e o Renavam, que consta no documento do carro.
7. Tem recall pendente?
Recall é a convocação do fabricante para corrigir um defeito que pode afetar a segurança; o reparo é feito na rede autorizada, sem custo para o proprietário. O conjunto Recall mostra as campanhas abertas e se já foram atendidas, e a montadora ou a concessionária também informa pelo número do chassi.
Pelo Código de Trânsito (art. 131), recall não atendido em 1 ano (campanhas a partir de outubro de 2019) passa a constar no documento do carro e, um ano depois disso, a lei prevê que o carro só seja licenciado com o reparo feito. Combine o reparo com o vendedor ou agende logo depois da compra.
8. Quem vende é o proprietário registrado?
O conjunto Proprietário confirma o proprietário registrado, para você comparar com o documento de quem está negociando; use essa informação só para essa checagem, conforme a LGPD. Se os nomes não baterem, peça explicação: a divergência é um alerta para o golpe do falso vendedor, e um carro em nome de outra pessoa depende dela para ser transferido.
Veja um exemplo fictício e simplificado:
Aqui, o ano não bate com o anúncio, o preço está R$ 9 mil abaixo da FIPE, há financiamento ativo, IPVA em aberto e registro de leilão. Nenhum desses pontos prova fraude sozinho, mas, juntos, pedem explicações antes de qualquer pagamento.
Na visita: o que só dá para conferir pessoalmente?
A consulta mostra o que está registrado, não o estado do carro. Marque a visita de dia, em local movimentado, e, se puder, leve alguém que entenda de carro.
9. Os documentos estão em ordem?
Confira se o nome no CRLV, o documento do carro, é o mesmo do documento de identidade de quem vende. Com kit gás ou outra modificação, peça também o Certificado de Segurança Veicular; a consulta de placa traz os dados dos dois para comparar. Se quem vende é uma loja, a consulta de CNPJ mostra se a empresa está ativa e desde quando existe.
10. O chassi e o motor batem com o documento?
Compare o número do chassi gravado no carro com o que consta no CRLV; em muitos carros, parte desse número também vem gravada nos vidros. Confira ainda o número do motor, de preferência com o vistoriador. Números com sinais de raspagem, solda ou remarcação são motivo para não fechar negócio.
11. A vistoria cautelar foi feita?
Antes de pagar, combine com o vendedor de levar o carro a uma empresa de vistoria cautelar. O laudo avalia estrutura, sinais de batida ou de reparo e a numeração do veículo, pontos que a consulta pela placa não mostra. Não confunda com a vistoria de transferência, que segue as regras de cada estado.
12. Fez o test drive e levou um mecânico?
Peça que o carro não seja ligado antes de você chegar: a partida a frio revela problemas que o motor quente disfarça. No test drive, repare em ruídos, freios, direção, trocas de marcha e luzes de alerta no painel. Um mecânico de confiança avalia motor, câmbio e suspensão e estima os gastos logo após a compra, valor que entra na negociação.
Na hora de pagar e transferir: como fechar com segurança?
13. O PIX vai para a conta do proprietário registrado?
Pague só na conta do proprietário que consta no documento do carro, nunca a terceiros ou a supostos intermediários, e não pague sinal antes de ver o carro e os documentos. Antes de confirmar o PIX, confira o nome do recebedor na tela do banco. Desconfie de pressa e de troca de conta de última hora.
14. A transferência vai ser feita no DETRAN?
A transferência é feita pelo DETRAN do seu estado: em linhas gerais, o vendedor emite a autorização de transferência, as assinaturas são reconhecidas em cartório ou feitas de forma digital, conforme o estado, e o comprador registra o carro no próprio nome. Combine de fazer o PIX no momento da assinatura. Pelo Código de Trânsito Brasileiro, o comprador tem 30 dias para transferir; como as etapas variam, consulte o DETRAN do seu estado.
15. Guardou todos os comprovantes?
Guarde o comprovante do PIX, um recibo ou contrato com data, valor, placa e dados de comprador e vendedor, a autorização de transferência, o laudo da vistoria e as conversas da negociação. Se aparecer uma multa ou um débito antigo depois, esses papéis mostram quando o carro passou a ser seu. O relatório da consulta fica no histórico da conta por 7 dias; baixe o PDF e guarde junto.
Dá para fazer essas checagens de graça?
Parte delas, sim:
- Tabela FIPE: no site da FIPE, por marca, modelo e ano.
- Débitos e restrições: no site do DETRAN do seu estado, com a placa e o Renavam.
- Recall: com a montadora ou a concessionária, pelo número do chassi.
A Descobria reúne esses dados e outros, como o registro de leilão, em um só relatório a partir da placa, antiga ou Mercosul, com informações de fontes públicas e bases licenciadas. O custo em créditos aparece antes de confirmar, e conjunto que volta sem dados não é cobrado. Não há mensalidade, e os créditos valem por 12 meses.
A Descobria não é um serviço oficial, não tem vínculo com o DETRAN nem com a FIPE e não substitui o DETRAN na transferência nem a vistoria do carro. A consulta é o primeiro filtro; a decisão continua dependendo do que você vê pessoalmente.
Perguntas frequentes
Como saber pela placa se o carro tem restrição?
Na consulta de placa da Descobria, o conjunto BIN Estadual mostra restrições, gravame de financiamento e débitos de IPVA e licenciamento, e o BIN Nacional mostra registro de roubo ou furto, sinistro com perda total e bloqueios judiciais. Sem custo, o site do DETRAN do seu estado costuma mostrar débitos e restrições com a placa e o Renavam.
Comprar carro que já foi a leilão é um mau negócio?
Não necessariamente. O registro de leilão não impede a compra, mas pode reduzir o valor de revenda e dificultar o seguro, então o preço precisa levar isso em conta. Quando há registro, a consulta traz data, lote, leiloeiro e, se informada, a classificação de danos. Nesses casos, a vistoria cautelar fica ainda mais importante.
O que é vistoria cautelar e quando fazer?
É uma avaliação feita por empresa especializada antes da compra. Ela analisa a estrutura do carro, sinais de batida ou de reparo e a numeração do chassi e do motor. Faça antes de pagar qualquer valor. Não confunda com a vistoria de transferência, que segue as regras de cada estado: para essa, consulte o DETRAN do seu estado.
Qual é o prazo para transferir um carro usado?
Pelo Código de Trânsito Brasileiro, o comprador tem 30 dias para fazer a transferência. Documentos, taxas, exigência de vistoria e a forma de assinar a autorização de transferência, em cartório ou de forma digital, variam conforme o estado, então consulte o DETRAN do seu estado antes de fechar negócio.
A consulta de placa substitui a vistoria ou o DETRAN?
Não. A consulta mostra o que está registrado sobre o veículo, como gravame, débitos, roubo, furto, leilão e recall, mas não avalia o estado físico do carro, que é papel do mecânico e da vistoria cautelar. A Descobria também não é um serviço oficial, não tem vínculo com o DETRAN e não faz a transferência nem emite documentos.
Quanto custa consultar a placa na Descobria?
Não há mensalidade. Você compra créditos em pacotes de R$ 20 (10 créditos) a R$ 180 (200 créditos), pagos por PIX e válidos por 12 meses. Cada conjunto de dados consome créditos, o custo aparece antes de você confirmar a consulta e conjunto que volta sem dados não é cobrado.
- Os dados vêm de fontes públicas e de bases licenciadas por provedores de dados.
- A Descobria não é afiliada a órgãos públicos nem a birôs de crédito.
- Leia os Termos de uso.